Processamento Técnico – Parte I

Você pensa que trabalho de bibliotecário é só “empresta livro, devolve livro, empresta livro, devolve livro”? Nananinanão! Quer saber o que rola nas coxias d´El Gran Espetáculo de la Información de la UFPR?! Acompanha então nossa série de publicações sobre o trabalho dos bibliotecários e auxiliares de biblioteca do SiBi UFPR. Vamos apresentar cada função necessária para que livros, teses, dissertações e outros documentos cheguem até as prateleiras de nossas bibliotecas e, delas, para suas mãos! Agora, acomode-se na melhor poltrona, abasteça seu balde de pipocas e… enjoy

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Na estreia, o Processamento Técnico! Para falar dessas funções é preciso falar das etiquetas. 
As etiquetas alfanuméricas presentes nas lombadas de todos os livros e documentos dos acervos das bibliotecas não estão ali à toa. Quem as insere nos livros e demais materiais bibliográficos são os profissionais que atuam no Preparo Físico, depois de passar pelas etapas do Processamento Técnico. As etiquetas – resultados de muitas horas de trabalho de bibliotecários e seus auxiliares, debruçados sobre o código de catalogação AACR2, descritores de assuntos e classificações – são a ferramenta que mantém a organização do acervo, facilitando assim a pesquisa e o empréstimo. 

Para se chegar à combinação de números e letras, o responsável pelo Processamento Técnico realiza a catalogação das obras, o que compreende um conjunto de informações a ser inserido no sistema para ser visualizado pelo usuário durante sua busca de informação no catálogo coletivo (OPAC – Catálogo Online de Acesso Público), tal como título principal, indicação de edição, detalhes específicos do material, primeiro editor, data de publicação e indexadores (as chamadas “palavras-chaves”, termos permitidos e controlados de um vocabulário específico que auxiliarão o usuário em sua busca). Na UFPR, esta primeira etapa acontece ainda na Biblioteca Central, na Coordenação de Processo Técnico, seguida de complementos quando o livro chega às bibliotecas setoriais. 

Cada biblioteca da UFPR segue a classificação que melhor se aplica às especificidades de seu acervo. A biblioteca de Ciências da Saúde, por exemplo, atribui às suas obras a classificação do National Medicine Library Classification – NLMC, por meio dos controladores de vocabulários conhecidos como thesaurus, o MeSH e o DeCS. As demais bibliotecas, por sua vez, optam pela Classificação Decimal Universal (CDU) e/ou Classificação Decimal de Dewey (CDD). 

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Francisco José Cordeiro, bibliotecário responsável pelo Processamento Técnico da Biblioteca de Ciências da Saúde (SD), e Débora Aparecida Caetano, auxiliar de biblioteca, responsável pelos serviços de Preparo Técnico da SD.

O código de catalogação está acompanhando a sofisticação da internet, permitindo que as políticas de desenvolvimento de coleções possam sair da exclusividade de materiais de informação tipicamente físicos/digitalizados, caminhando cada vez mais para acervos cujas tipologias informacionais sejam genuinamente digitais e compartilhadas – nascidas na Web. Segundo Francisco Cordeiro, bibliotecário que atua no Processamento Técnico da Biblioteca de Ciências da Saúde, “a missão do bibliotecário é quebrar a inércia informacional de um livro, por exemplo, que acaba de ser catalogado e tende a ficar estático na prateleira, em dado nicho específico de assunto de sua área de conhecimento. Conseguir definir esse nicho específico, os indexadores ideais, que funcionem após uma busca satisfatória pelo usuário, ou seja, que façam com que a obra seja encontrada pelo usuário, em acervos virtuais e físicos, é a nossa glória!”.

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Fotos: acervo SiBi UFPR

Há uma disposição lógica das obras nas estantes, o que permite a construção de árvores do saber. Um assunto seguido por outro, numa crescente conexão de informações que, em uma análise geral, geram um panorama do conhecimento de determinada ciência contemplado no acervo que cada setorial possui. “As classificações e os thesaurus são explosões de informações virtuais. A NMLC, por exemplo, é uma explosão de informações na prateleira da biblioteca!”, diz Francisco. 

Depois de passarem pela catalogação, indexação, classificação e notação, as obras recebem os cuidados físicos que incluem impressão e afixação de etiqueta na lombada, afixação de código de barras, inserção de fitilho antifurto e afixação de etiquetas diversas de consulta local, bibliografia básica etc. Por conta disso, a necessidade de preservar todos esses sinalizadores diversos, fundamentais para a organização do acervo e eficiência da pesquisa.

 

* Texto revisto em 09|março|2018.

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Um comentário em “Processamento Técnico – Parte I

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  1. No próximo dia 12 de março se comemora o Dia do(a) Bibliotecário(a).

    Fico bastante lisonjeado com isso e compartilho aqui meus sinceros agradecimentos.

    Eu estou bem satisfeito com o que faço…

    Quando me formei em Biblioteconomia, a primeira pergunta que me fizeram foi “Você deixou a Biologia pra ser “Biblioteconomista”?

    Não… Já havia me formado como Biólogo (bacharelado & Licenciatura) e a Biblioteconomia me deu fôlego pra compreender que quem gosta de informação nunca abandona os cursos de origem…

    Muito pelo contrário, agrega valor ao que já é sabido, recoloca seus interesses em novos nichos e sente necessidade premente de, ao lidar com informação a todo tempo, formar e difundir democraticamente novos conhecimentos.

    A questão humanística intrínseca de ser um “porta-voz” do legado histórico cultural tangível, a qualquer ser pensante com “sede de informação”, foi cada vez mais me seduzindo…

    Algo como “molhar em terra seca e rachada pra ver brotar sementes”… A parte do enriquecimento de “solos áridos” estava me atraindo cada vez mais: Eu poderia, Sim, fazer germinar suscitações”!!

    Em Biologia se discute muito a Entropia: a Biblioteconomia me deu ferramentas pra diminuir os efeitos da “entropia informacional”: Eu posso ajudar a fazer o trabalho pesado para que o sistema informacional não perca energia e entre em colapso, se deteriore!!!

    Demorei um tempo pra perceber que “esse trabalho” é coletivamente feito, tijolo por tijolo, pelos meus pares: os(as) Bibliotecários(as)…

    De fato, meus amigos “Biologistas” não estavam redondamente enganados no termo… Por contaminação terminológica, “Biblioteconomista” seria minha nova formação porque há uma grande preocupação em Biblioteconomia com a parcimônia (a Economia da coisa revelada e publicizada) no trato das informações para que elas produzam conhecimentos sem perda de energias humanas em propósitos disfuncionais…

    Provavelmente fui me despindo, paulatinamente, do glamour que Eu tinha por ser “Biólogo ou Biologista”, ainda que engessado em minha formação catedrática…

    Comecei a perceber que nunca seria somente um “Biblioteconomista” na sombra; como corruptela de um tipo de “profissional da Economia” de segunda classe, nada a ver…

    Minha nova formação me recolocaria, de cara, numa coletividade genuinamente administrativa de profissionais cujo labor é lidar parcimoniosamente com informações com o propósito único de compartilhar conhecimentos.

    Hoje já não tenho nenhuma vergonha de dizer: “Sim, sou Bibliotecário de profissão”!!!

    Francisco José Cordeiro
    Bibliotecário Documentalista da Biblioteca de Ciências da Saúde da UFPR

    Curtido por 2 pessoas

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