Coleção de livros infantis alerta crianças e pais sobre os perigos da tecnologia

16/05/2018

Uma entrevista com a bibliotecária da UFPR que se tornou autora de livros sobre cyberbullying e vício digital

Por Carolina Ghilardi,
Jornal Comunicação

“Praticamente tudo foi escrito pelo smartphone”. É o que conta a bibliotecária Rosilei Vilas Boas, ou Rosi, como é conhecida. Ela é funcionária da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreveu uma coleção de quatro livros infantis sobre a relação das crianças com a tecnologia. Lançada em 2016, a série foi produzida em parceria com duas colegas: a jornalista Cassiana Pizaia e‎ a psicóloga Rima Awada Zahra.

Rosi tem ainda outros projetos de escrita: dessa vez, sobre as crianças refugiadas que vêm ao Brasil com a família (Foto: Carolina Ghilardi)

A Coleção Crianças na Rede é destinada às crianças e aos pais e aborda temas como os perigos da Internet, cyberbullying e vício tecnológico. Recebeu esse nome por expressar todas as redes em que as crianças devem estar envolvidas – a rede escolar, familiar, de amigos e do bairro, não apenas a rede Web. “Nós entendemos que é somente vivenciando todas essas redes que a criança vai conseguir se inserir na sociedade e ter um papel de protagonista”, explica Rosi.

Hoje, Rosi atua como bibliotecária na Biblioteca de Ciências Biológicas, e carrega consigo a experiência de ter atuado em bibliotecas escolares e em websites da área de Educação nos últimos 30 anos. Além de contar sobre os livros e projetos, ela faz um alerta aos pais sobre os assédios aos quais as crianças estão suscetíveis na web.

Confira abaixo a entrevista realizada pelo Jornal Comunicação com a bibliotecária e escritora:

JC: Qual é o objetivo dos livros “Crianças na Rede”? O que vocês querem passar, tanto para as crianças quanto para os pais?

Rosi: Eu acredito que o livro trata de uma temática bem atual, sobre o que a sociedade anda discutindo e não consegue muita resposta. É difícil segurar uma criança, discipliná-la para que ela vivencie tudo, ensinar que ela tem que brincar, andar de bicicleta, jogar futebol, passear, ir ao parque – além de usar a internet, joguinhos e tudo mais. As crianças têm que perceber que há muito mais coisas para fazer e que existe tempo para tudo. Então, a nossa ideia era mostrar, tanto para a criança, quanto para os educadores, para os pais e para a sociedade em geral, que dá para fazer tudo, que uma coisa não pode anular a outra, que uma constrói a outra. A formação da cidadania de uma pessoa tem que vir das diversas experiências.

JC: Você diz que a tecnologia tem o papel de integrar as pessoas e servir ao homem. É isso que você também quer mostrar para as crianças?

Rosi: Eu acho que toda tecnologia, todo aplicativo, tudo o que é descoberta e que tem um investimento humano deve servir ao homem, e não o contrário. Servir ao homem no sentido de contribuir para o seu desenvolvimento, para a sua saúde e para a sua educação.

JC: Vocês já perceberam algum resultado na percepção das crianças sobre o tema? Já tiveram algum relato de pai ou mãe?

Rosi: Eu me lembro de três experiências que tive. Vou falar da primeira, sobre os pais. Nós recebemos muito retorno deles. Nas palestras, percebi que as crianças se identificam muito com o [livro] Superligado. Com o Palavras Que Voam também, que é sobre bullying e cyberbullying, para o bem e para o mal – quem sofre e quem pratica. Nas palestras em que eu falo sobre isso, sempre tem uma mãozinha tímida que levanta e me diz: “- Tia, fulano faz isso comigo”.

Numa escola em que eu estive, foi detectado um problema seríssimo: uma criança passava pelo bullying em casa, pelo pai, porque era mais gordinha e o pai a tratava muito mal. Me toca essa menina, porque ela entendeu o que era o bullying, entendeu que ela estava sofrendo aquilo e que ninguém tem o direito de fazer isso.

O terceiro episódio me assustou muitíssimo, e todas as vezes que ocorre, chama muita atenção de nós três, é o perigo na Internet. Quando a gente fala sobre o [livro] A Floresta Misteriosa, perguntamos assim: “Já teve alguma ocasião em que vocês estavam na rede, tinha um bate papo e alguém perguntou se a mamãe estava por perto? Ou em qual escola você estuda? Quem te leva?”. Nós procuramos colocar diversas situações assim e sempre tem uma mãozinha levantada. Eles são muito pequenininhos para passar por isso. Esse assédio com as crianças por meio dos bate papos na Internet é muito maior do que a gente imagina.

Os livros foram publicados pela Editora do Brasil com os títulos: Máquinas Do Tempo, Palavras Que Voam, Superligado e A Floresta Misteriosa. (Foto/Arte: Editora do Brasil. Edição: Pablo Fernandes)

C: Você já havia escrito livros antes?

Rosi: Não! Quer dizer, se você me perguntar se já publiquei livros antes, não. Se eu já escrevi livros de literatura infantil antes, sim. Que não foram publicados.

JC: Sobre o que são esses livros que não foram publicados?

Rosi: Esses livros eram muito ligados ao que eu percebia no cotidiano da biblioteca escolar com crianças do Ensino Fundamental. Eram sobre a insegurança das crianças, o medo, o bullying e a timidez, por exemplo.

JC: O que te motivou a escrever a coleção “Crianças na Rede”?

Rosi: Eu trabalhei com tecnologia educacional durante 12 anos nos portais de Educação, então já tinha essa temática na cabeça. Em um encontro casual, eu, a Rima e a Cassiana conversamos. A gente não sabia ao certo o tema, mas conversando achamos que uma coleção sobre tecnologia seria interessante, porque não havia muitas coleções e títulos aqui no Brasil e a gente conhecia bem o assunto. A Rima, porque atende muitas crianças e adolescentes já bastante viciadas em Internet, eu vivenciava isso na escola e a Cassiana porque tem filhos pequenos.

JC: E como vocês escolheram os temas da coleção?

Rosi: Então, a gente tinha uns 20 livros prontos, com muitos outros temas juntos, mas a editora nos orientou de que nós podíamos não fundir dois livros em um, mas retratar também o assunto em um mesmo título. Desses 20, os quatro que foram publicados foram escolhidos pela editora.

JC: Vocês pretendem dar continuidade à coleção?

Rosi: Nós estamos em discussão, porque há um consenso entre nós três de que a temática da tecnologia não está esgotada. Mas, devido à geopolítica atual, a gente optou por fazer um livro sobre as crianças [refugiadas] que estão chegando no Brasil hoje, e que, portanto, farão parte da formação do povo brasileiro, assim como fizeram os japoneses, os negros, os italianos. E isso exige muita pesquisa, muitas entrevistas, então a continuidade da temática da tecnologia ficou para uma segunda discussão.

Nota: Se você gostaria de saber mais sobre os livros da coleção, ou mesmo, quiser adquiri-los, clique aqui e acesse a loja virtual da Editora do Brasil

Saiba mais (clique em cima do título):

Bibliotecária da UFPR é autora de livros infantis sobre tecnologia e Internet

*Retirado do Jornal Comunicação

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